Se você é daquelas pessoa que morre de medo de falar em público, não se preocupe! Este artigo vai te ajudar a entender os motivos, os sintomas físicos e também vai te dar dicas valiosíssimas para acabar com esse pavor de uma vez por todas.

Desde o início dos tempos, o medo de falar em público é um tema de destaque social. Quando se fala em “medo de falar em público”, a primeira imagem que vem à cabeça é aquela pessoa parada em frente a uma multidão, paralisada, suando frio, com as pernas tremendo e uma aterrorizante sensação de “branco” em sua mente.

No entanto, para a maioria das pessoas, essa fobia dá as caras em situações do dia-a-dia, interações aparentemente simples e rotineiras que, para quem tem essa dificuldade, se tornam dragões de sete cabeças, como entrar na sala do chefe para pedir um aumento, falar abertamente em uma reunião da empresa, pedir informações na rua ou até fazer aquele assombroso e entediante discurso antes da ceia do natal perante toda a família.

Quando eu apresentei a minha primeira monografia, no auge dos meus vinte e um anos, os joelhos tremiam, as mãos suavam, a boca secava e todo aquele tempo ensaiando o discurso parecia não ter servido para absolutamente nada. Na minha cabeça, a única frase que aparecia recorrentemente era “por favor, alguém me tire daqui”.

Os sintomas do corpo e a enxurrada de pensamentos negativos

É impressionante perceber como um medo tem poder sobre nós e provoca as mais diversas reações em nosso corpo. É muito comum ver pessoas ficando extremamente ansiosas em situações aparentemente simples, como fazer um elogio a alguém, quando são convidadas a ler um salmo na igreja ou mesmo para fazer um brinde em uma festa de aniversário.

E quando precisamos falar em frente a uma pessoa que possui certa autoridade? É o caos em nosso sistema nervoso.

Não é à toa que o maior receio das pessoas que têm pavor de falar em público são as reações de seu próprio corpo e o receio de que outras pessoas notem seus sintomas. Os reflexos mais comuns são: voz trêmula, problemas gastrointestinais, ruborização, sudorese, tontura, náuseas e alterações na respiração.

Além dessas inúmeras reações físicas ocasionadas pelo medo de falar em público, a mente sofre intensamente com pensamentos negativos ocasionados pelo medo, como os exemplos a seguir: “será que as pessoas vão pensar que eu sou idiota por gaguejar?”, “e se eu esquecer tudo algum ponto importante da fala?”, “o que vão pensar de mim se eu travar e começar a tremer?”.

Nesse momento, surge o grande dilema do ciclo vicioso do medo de falar em público: assim que o corpo começa a manifestar-se por meio dos sintomas supracitados, a mente entra em estado de alerta e, consequentemente, a pessoa sente mais medo, o que gera um aumento exponencial dos sintomas físicos. Em outras palavras, o medo de falar em público gera sintomas corporais indesejados, que, por sua vez, fazem a mente se focar no problema, aumentando o nível de estresse, o que se reflete nas próprias reações corpóreas.

Sabendo disso, é muito comum que as pessoas fujam a todo custo de situações em que precisem falar em público. Ainda que essa fuga traga paz imediata, é extremamente prejudicial no longo prazo. Isso porque limita as relações interpessoais, prejudica tarefas rotineiras, reforçando e nutrindo ainda mais o medo de falar em público. Assim, evitar falar em público cria um sentimento de bem-estar, mas potencializa a fobia da fala em público.

Se você se identifica com os sintomas apontados, não se preocupe: há uma série de formas práticas de lidar com o medo e desmitificar o pavor de falar em público. A seguir, trarei algumas dicas que poderão te ajudar com a ansiedade e trazer uma injeção de autoconfiança e autoestima para sua vida.

A tirania da ansiedade

Considerando que as pessoas que têm pavor de falar em público tendem a se preocupar com seu corpo em situações de estresse por ter de falar em público, as estratégias a seguir são imprescindíveis para reduzir ou até eliminar as indesejadas reações físicas.

Em primeiro lugar, por mais óbvio que pareça, é fundamental aceitar tais sintomas e parar de temê-los. Ao falar em público, tente prestar atenção nessas reações sem se alterar e entenda seus sintomas. O ataque de ansiedade é como uma onde, que irá diminuindo progressivamente com o tempo.

Para isso, tenha em mente que, ainda que os sintomas sejam indesejáveis, nada de terrível acontecerá por causa deles. Depois da alta intensidade dos sintomas iniciais, ele irão diminuir aos poucos.

O poder da respiração

Desde pequenos, escutamos frequentemente “calma, respire fundo”, mas não damos o devido valor a esse ensinamento milenar. A respiração é, ao mesmo tempo, um termômetro das nossas emoções e um ato regulador do nosso corpo, por isso é fundamental dar uma atenção especial a ela.

É normal que, nessas situações, uma das primeiras reações perceptíveis seja a respiração, por isso se vê pessoas respirando de forma irregular, com respirações muito curtas, rápidas ou, ainda, prendendo a respiração.

Desse modo, dar uma atenção especial às técnicas de respiração é a primeira – e talvez a mais importante – das dicas que trago neste artigo.

Por isso,  antes de iniciar a sua fala, faça o seguinte exercício:

Respire calma e profundamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca de forma ritmada. Pense em cenários que te trazem calma, como um fim de tarde à beira da praia ou aquele almoço de domingo em família na casa de sua vó quando era criança. Repita mentalmente para você “eu estou calmo, eu sei o que preciso falar e estou tranquilo para fazê-lo”.

Repita o exercício de inspiração e expiração lentas dez vezes. Ao decorrer do exercício, perceba as sensações de estresse e de medo deixando seu corpo, sinta seus músculos relaxando, a sensação de perigo indo embora.

Ter consciência disso irá enviar um sinal para seu corpo de que ele não precisa mais se manter em estado de alerta, de que não há perigo iminente, o que irá abaixar sua “guarda mental” e te deixar mais tranquilo.

Quando o corpo fala por você

Ao mesmo tempo que a mente influencia o corpo, a recíproca é verdadeira. É por isso que sua postura e suas expressões faciais possuem um relevante papel no seu medo.

Repare bem. Uma pessoa confiante ostenta uma postura ereta, ombros abertos e relaxados e um leve sorriso no rosto. Por outro lado, uma pessoa amedrontada tende a parecer mais fechada, pois não se sente à vontade com a atenção voltada para si. Ela quer – ainda que inconscientemente – ser invisível, o que se contradiz totalmente à posição de alguém que almeja falar em público. Isso é perfeitamente visível em sua postura tensa, curvada, em seu rosto fechado, testa franzida, maxilares cerrados.

Uma vez consciente disso, atente-se para sua postura. O simples gesto de tentar parecer relaxado envia uma mensagem interna a seu corpo, informado que está tudo bem, não há motivo para ter medo, informando-lhe que você é plenamente capaz de lidar com a situação em questão. Tudo se resume a um instinto primitivo de sobrevivência e, com esse exercício, você deixa claro para seu corpo que não há perigo nenhum a temer.

Consciência x Medo

Outro passo fundamental para driblar o medo é potencializar seu âmbito de consciência para reduzir os pensamentos automáticos altamente prejudiciais ao seu corpo. Tornar os processos conscientes e racionais conforta seu cérebro, deixando-o com a sensação de que você está no controle da situação.

Para isso, converse com você mesmo, crie diversas formas construtivas e positivas de autodiálogo, deixando claro que o medo causado pela ideia de falar em público é controlável e que você tem total domínio sobre isso. Isso te fará pensar com mais clareza e fará seu cérebro entender que você domina a situação.

Pense na tarefa a ser realizada – no caso, falar em público – e imediatamente ligue isso a uma solução. Isso edifica uma base mental positiva, gerando o sentimento de habilidade para execução da tarefa. Ainda que o medo permaneça, a conscientização foca toda sua atenção no processo como um todo. Aqui, a máxima “cabeça vazia, oficina do diabo” se aplica perfeitamente: dar ao cérebro algo mais importante para se preocupar diminui a o estado de alerta de seu corpo, principal causador dos sintomas físicos do medo.

Uma das principais capacidades destrutivas do medo é a distorção da realidade. Desse modo, por se sentir inseguro, a pessoa começa a crer cegamente que esse sentimento de pavor não o deixará realizar de forma satisfatória a tarefa à qual está se dispondo. É aí que aparecem pensamentos contraproducentes como “se eu falhar, parecerei um idiota na frente de todo mundo e irão rir de mim”.

Esse é um exemplo típico. É bem verdade que perder a linha de raciocínio não é algo tão raro de acontecer, principalmente com pessoas que já possuem uma fobia de falar em público. No entanto, se isso acontecer, não é o fim do mundo! Ter consciência de que a pior das hipóteses não é tão ruim assim te dará calma para respirar, readquirir a concentração necessária e retomar a fala do ponto de onde parou.

Ter foco é a chave

Todo mundo sabe que ter foco é imprescindível para o sucesso de todos os tipos de tarefa. Parece bastante óbvio, mas, ainda assim, quase ninguém dá a isso o devido valor. É fundamental desenvolver a capacidade de foco dia após dia, treinando sua mente com afinco e persistência.

O estado de medo faz com que a mente foque sua atenção exatamente naquilo que parece assustador, como, por exemplo, as pernas tremendo, a face ruborizada, os olhares de julgamento dos interlocutores. Isso gera um autojulgamento destrutivo. Nesse ponto, é possível concluir que o objeto do nosso foco tende a se agigantar e, consequentemente, isso pode ser utilizado tanto para o bem quanto para o mal.

Desse modo, se, logo antes de falar em público, seu cérebro começar a voltar as atenções para os problemas potenciais de forma avulsa, focando em coisas que te deixam vulnerável, isso potencializará sua fobia e os reflexos dela em seu corpo.

Um excelente exercício para isso é concentrar-se no processo em si. Revise mentalmente tudo o que deseja falar, fazendo um esboço mental, relembrando itens essenciais, palavras-chave. Você deve controlar seu foco.

A seguir, visualize-se falando com uma oratória invejável, o público atento, suas expressões corporais transmitindo charme, confiança, segurança, de modo em que todo mundo perceba que você é bem sucedido.

Em um diálogo mental consigo mesmo, diga “meu medo não tem sentido, eu tenho consciência disso e irei executar tudo que quero, porque eu tenho plena consciência e domínio do conteúdo que desejo transmitir”.

Pessoas com medo tendem a esquecer de olhar para si mesmas e reconhecer seus pontos fortes.Isso faz com que cada atividade que pretendem realizar pareçam ser grandes desafios, risco imensos, trazendo para isso uma dificuldade desnecessária. Por isso, pare, respire e se reconheça seu próprio valor. Vislumbre sua vida como um todo e tome consciência de uma coisa: esses minutos em que você passará falando em público não trarão consequências permanentes para sua vida. Daqui a algum tempo, você nem lembrará de tudo isso.

Pessoas são só pessoas

Neste momento, o ponto fundamental é a relação que você estabelece consigo mesmo, com as outras pessoas e com o mundo como um todo. Ou seja, tem a ver com a sua percepção de que o mundo – e, consequentemente, seus interlocutores – é formado por pessoas como você, cheias de medos, traumas e sensibilidade.

Com isso em mente, tente desvencilhar-se da necessidade de agradar a todos. Aqui há um conflito permanente com o próprio ego, que se recusa a aceitar a ideia de rejeição. Preocupar-se com o que os outros pensarão de nós volta os nossos holofotes internos para os nossos medos, tornando-os gigantes inflamáveis.

Considerando que as principais formas de interação humana ocorrem por meio de linguagem (verbal ou não), o nosso ego e nossa autoestima ficam expostos todas as vezes em que temos que falar em público. É como se aquele mero momento fosse uma representação perfeita das nossas habilidade – e não é!

Controlar nosso estado de espírito é fundamental nos momentos de vulnerabilidade. O resultado de viver com nosso ego exposto é, inevitavelmente, acabar se frustrando constantemente por culpa de resultados desastrosos causado pelo medo.

Levando em consideração que pessoas são só pessoas, uma boa estratégia é desviar o foco de você mesmo e trazer os interlocutores para dentro da interação, criando com eles uma conexão. Faça-os identificar-se com você e com a mensagem que está sendo passada. Para isso, mostrar-se da forma mais natural possível é fundamental. É preciso que todos vejam de forma clara que você não está forçando parecer algo que não é.

O mito da perda de controle

No fundo, tudo gira em torno do medo de perder o controle. Isso gera medo, potencializa sua ansiedade e, naturalmente, traz sérias consequèncias que afetam os sintomas físicos indesejados de que tanto falamos.

Por isso, aprender a domar essa preocupação traz um domínio maior sobre o próprio medo de falar em público. Passo fundamental para isso é encontrar um método prático e eficaz e confiar que essa estratégia poderá ser aplicada por você para perder o medo de falar em público.

Além disso, ainda que seja altamente recomendável ensaiar uma conversa ou um discurso, é preciso preparar-se para seguir o fluxo do diálogo, de modo natural e contínuo, adaptando-se aos possíveis cenários que podem surgir no meio do caminho. É preciso parecer natural, aprender a confiar em si mesmo, a fim de transmitir segurança e confiabilidade ao interlocutor.

Aprender a controlar a ansiedade é um grande passo

O processo de conquistar independência e autonomia nas relações sociais passa invariavelmente pela capacidade de dar início e continuação a uma conversa com os mais diversos tipos de pessoas.

Desse modo, é fundamental dispor de alguns recursos que ajudam a manter uma linha de raciocínio, reduzindo ou eliminando as chances de divagações ou de conduzir a conversa a pontos desconfortáveis.

Nesse cenário, a ansiedade é um grande obstáculo para que você se sinta confiante e confortável em uma conversa. É aqui que a conversa de ocasião ganha relevo, possibilitando que você seja capaz de falar sobre um sem número de assuntos, às vezes de forma superficial – mas sem parecer raso – com pessoas de diversas tipos, inclusive com desconhecidos.

Para se dar bem em uma conversa de ocasião, mantendo-a estimulante e instigadora para todos envolvidos, é imprescindível controlar a ansiedade, a fim de evitar parecer indelicado ou inconveniente. Assim, afastar pensamentos negativos, contraproducentes, é essencial.

Ainda que de forma quase imperceptível ou inconsciente, essa negatividade, em regra, faz com o emissor se sinta mal, impedindo-o de ficar relaxado e calmo em um diálogo. É nesse cenário que a pessoa ansiosa começa a focar excessivamente em si mesma, aumentando drasticamente os efeitos que o medo de falar em público causa em seu corpo e em sua mente.

Então resta a pergunta: qual assunto pode ser tópico de uma conversa de ocasião com um desconhecido?

A resposta, por mais vaga que pareça, é “qualquer um”, desde que protegido por uma dose de bom senso. Assim, recomenda-se com afinco fugir de temas como política e religião e, em um ambiente de trabalho, certamente não se deve falar mal de sua rotina ou de seus superiores.

Assim, é possível falar sobre o tempo, as festas de fim de ano, algum acontecimento cultural, filhos, estudos ou mesmo sobre qualquer assunto cotidiano. Quando se alcança um nível mais aguçado de habilidade social, até uma xícara de café pode se tornar um tema duradouro para um diálogo fértil e fluido. Qualquer assunto pode ser interessante para ambos os lados, desde que você saiba como abordá-lo.

Como dar o primeiro passo

Uma boa técnica para introduzir um assunto é prestar bastante atenção no que a outra pessoa está falando e, então, encontrar uma ligação entre algo que ela tenha dito e o assunto que você deseja introduzir.

Para isso, a utilização de frases de transição é uma poderosa ferramenta, como “eu entendo perfeitamente o seu ponto de visto, inclusive isso me lembra uma situação em que…”.

Outra ideia é utilizar um gancho na fala da pessoa para guiá-la a determinado assunto com uma pergunta. Ao pedir uma opinião sobre certo tema, por exemplo, força-se a pessoa a parar e refletir sobre o tema, dando uma maior abertura para a conversa fluir.

Nesse ponto, um grande vilão para a pessoa que tem medo de falar em público é a inibição. Isso porque a grande maioria dos problemas se inicia na cabeça, principalmente quando se entra em um ciclo mental nocivo acerca do que a outra pessoa está pensando sobre nós.

Para evitar esses problemas, é necessário parar de ser tão autocrítico e focar em suas próprias habilidades. Tente o seguinte exercício:

  • Faça uma lista com tópicos simples de conversa.
  • Escreva uma frase que te passe uma sensação de segurança e tranquilidade
  • Pratique esses tópicos com pessoas próximas a você, com quem você se sinta muito confortável
  • Preste bastante atenção às reações da outra pessoa e, conforme a conversa vá se desenvolvendo, faça os ajustes cabíveis
  • Tente levar a conversa para outros temas, abordando-os de forma fluida e sutil, sem parecer forçado

O medo de falar em público não precisa ser um vilão em sua vida. Não estou dizendo que é fácil superá-lo, mas sim que há meios para isso. Com calma, dedicação, paciência e o método correto, você verá melhoras significativas em sua vida social.

Se você quer saber mais sobre o tema e começar a transformar a forma como você interage com as pessoas ao seu redor, acesse o nosso curso de oratória em http://www.guiadaoratoria.com e comece imediatamente a perder o medo de falar em público.